quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Revista Pais e Filhos On Line

Trocando experiência
Depressão infantil


PARECE ABSURDO QUE UMA CRIANÇA POSSA SOFRER COM A DOENÇA, MAS AS TAXAS DE DEPRESSÃO INFANTOJUVENIL VÊM CRESCENDO NO MUNDO TODO




Vão ter fases em que seu filho vai se sentir meio tristonho mesmo. Sentimentos de frustração fazem parte do desenvolvimento infantil e são típicos na infância. Nem sempre é fácil para um adulto entender. Alguns pais acham que o filho está exagerando. Você pode até achar isso mas, ainda assim, seu apoio, sensibilidade e compreensão será fundamental para que o pequeno ultrapasse esta fase e siga em frente em seu desenvolvimento psicológico, social e afetivo.

No entanto, há casos em que essa tristeza comum na infância atinge um patamar mais avançado. Passam-se semanas e, mesmo recebendo carinho e colo dos pais e adultos, a criança ainda apresenta sinais de tristeza atípica, exagerada ou desproporcional. Pode ser que seu filho esteja com depressão. Parece absurdo que uma criança também possa sofrer com essa doença, mas não é. A taxa de depressão infantojuvenil vem crescendo em todo o mundo, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Na faixa etária entre seis e 16 anos, por exemplo, ela passou de 4,5% para 8% na última década. Violência urbana, excesso de atividades na agenda diária e falta de espaço e tempo para o lazer são fatores que pioram o quadro.

Apenas um profissional pode diagnosticar casos de depressão, ainda mais em criança. Mas se seu filho anda triste demais, fique alerta. Na dúvida, converse com um psicólogo. Para te ajudar, listamos 10 sinais de depressão infantil e 10 maneiras de os adultos ajudarem as crianças a saírem dessa.



10 sinais de depressão infantil

1- Humor alterado: a criança anda irritada e briga mais do que o de costume
2- Seu filho anda quietinho, brinca menos do que antes e não se interessa mais pelos amigos, brinquedos e atividades.
3- Não prestar atenção nas aulas e queda no rendimento escolar
4- Dificuldades pra dormir ou ter sono o dia todo
5- Pessimismo e conduta de auto-depreciação: acha que tudo o que faz está ruim ou errado.
6- Reclama mais de cansaço ou fica sem energia
7- Queixa-se sempre de dor de barriga, na cabeça ou nas pernas
8- Chora pra ir pra escola ou, uma vez estando lá, pede pra ir embora com frequencia.
9- Emagrece ou engorda demais
10- Voltou a fazer xixi na cama ou coco nas calças



10 maneiras de ajudar seu filho a lidar com a situação

1- Redobre a atenção em momentos de mudanças, separações, mortes ou chegada de um irmãozinho. Fique o mais próximo que puder de seu filho: brinque, converse, ouça-o.
2- Ajude seu filho a se sentir protegido. Se ele está com medo diante de uma mudança ou situações estressantes, deixe claro que você compreende seus sentimentos e que vai ajudá-lo a superar.
3- Pais deprimidos são menos disponíveis e menos atentos às necessidades dos filhos. Cuide de sua saúde mental para estar mais preparado pra cuidar da saúde da criança também.
4- Não deixe sua casa virar um quartel general. Os limites e a educação precisam ser parte de uma relação. Ensine seu filho a se expressar, a negociar, a cumprir com suas promessas e a arcar com as conseqüências.
5- Traga humor e leveza para a sua casa. As relações muito sérias, rabugentas e negativas também deprimem. Saiba rir de seus erros e comemore seus acertos. Lembre que crianças imitam os adultos.
6- Estabeleça uma relação com a professora do seu filho, leia sempre as observações dela e acompanhe de perto como ele se relaciona com os colegas da escola. A criança passa muitas horas do dia na escola e se algo não vai bem ali, com certeza vai refletir no seu humor.
7- Cuidado com expectativas muito altas e pressões demais. Saiba o que esperar de cada fase do desenvolvimento infantil. Se você cobra de seu filho algo que ele ainda não pode lhe dar, isso vai fazê-lo se sentir impotente.
8- Criança precisa de tempo livre: pra brincar ou pra não fazer nada. Entupir a agenda de seu filho com atividades demais vai deixá-lo estressado.
9- Elogie sempre que possível. Os pais precisam mostrar que prestam atenção na criança e reconhecer seu valor, seus acertos e qualidades.
10- Leve seu filho a sério: jamais desvalorize ou ridicularize a forma com que ele encara os problemas, por mais exagerados ou desproporcionais que possa parecer para os adultos.



CONSULTORIA: SHEILA SKITNEVSKY-FINGER, PSICÓLOGA, PSICANALISTA, COM DOUTORADO EM PSICOLOGIA PELA MASSACHUSETTS SCHOOL OF PROFESSIONAL PSYCHOLOGY, EM BOSTON, USA. PESQUISADORA DA USP – CENTRO DE ESTUDOS EM PSICANÁLISE E INTOLERÂNCIA E SÓCIA FUNDADORA DO INSTITUTO MÃE PESSOA. * TANIA NOVINSKY HABERKORN, PSICÓLOGA, PSICOTERAPEUTA, COM MESTRADO EM PSICOLOGIA CLÍNICA PELA UNIVERSIDADE ANTIOCH DE LOS ANGELES, CA. SÓCIA FUNDADORA DO INSTITUTO MÃE PESSOA. www.maepessoa.com.br
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domingo, 23 de agosto de 2009

"Cansaço" de ser só mãe e culpa

Olá! Peguei o endereço do site de vocês na revista Crescer. Adorei a matéria que lí e resolvi entrar no site de vocês, pois estou precisando de uma grande ajuda.
Bom, resumidamente contarei aqui mais ou menos a minha situação.
Tenho 24 anos, tenho uma filha maravilhosa que completará 7 meses dia 23 de Agosto. Até o 5º mes dela eu recebi o salário maternidade do governo e até então, financeiramente eu e meu marido não tinhamos "problemas" financeiros.
Quando o meu salário maternidade acabou começaram os "problemas" financeiros e as brigas de casal em decorrência a isso. Sempre trabalhei, mesmo sendo "nova" e por isso também não gostei nem um pouco de ser sustentada nesses últimos 3 meses. Então em meio as muitas brigas resolvi que iria voltar a trabalhar. Consegui um emprego.
Minha mãe não trabalha, então ela é quem cuida da minha filha. Só que tenho sofrido MUITO com alguns tipos de sentimentos estranhos, porém acho que completamente normais. Conversei com algumas amigas que me disseram que também tinham os sentido. Mas gostaria de ouvir algo de mais mães e de profissionais como vocês, alguns conselhos e a experiência de vocês em relação a isso, para me reconfortarem um pouco mais.

Todos os dias choro muito, pois tenho um sentimento de que estou abandonando a minha filha e que ela nunca me perdoará (mesmo sabendo que o mesmo aconteceu com a minha mãe e eu e bem antes de mim, pois na minha época a licença maternidade era de apenas 3 meses e com 2 e meio eu já estava em um berçário e mesmo assim, hoje em dia eu não tenho nenhuma "mágoa" ou raiva da minha mãe por ter feito isso, era uma questão de necessidade.)

Mesmo antes de começar a trabalhar, eu tinha um outro sentimento também, parecido com um "cansaço" de ser só mãe o tempo inteiro. Não cansada da minha filha, mas algo parecido, pois eu não tinha mais tempo para fazer com calma as coisas que eu fazia antigamente, coisas simples e corriqueiras da vida, como por exemplo, ir ao banheiro tranquilamente.
Queria me sentir uma pessoa também, além de mãe claro, porque isso eu não abdicaria nunca mais da minha vida, pois a minha é simplesmente a melhor coisa que já aconteceu, eu a amo muito e não conseguiria nem respirar mais caso eu a perdesse.

Gostaria de saber se podem me ajudar em mais um ponto. Ela mama no peito ainda (Graças a Deus). Então a rotina alimentar dela é assim: Acorda, toma um suco de fruta, depois almoça e sobremesa. O resto do dia era só peito. Mas agora eu quero saber o que posso fazer? A minha bomba de tirar leite é muito ruim. Pedi alguns conselhos e me indicaram o leite em pó NINHO FORTIFICADO o INTEGRAL e não o instantâneo (pois dizem que esse dá muita cólica) O que vocês me sugerem? Tentei dar pra ela hoje, mas ela parece que não gostou muito, fez algumas caretas, mesmo porque ela ainda não se adaptou totalmente a mamadeira (mesmo com o suquinho da manhã.)
Bom, gostaria muito que vocês me respondessem e se quiserem passar esse e-mail á algumas outras mães para que elas me respondam também, sintam-se a vontade! Muito obrigada e parabéns pelo trabalho.
Aguardo contato.
Mariana

COMENTÁRIOS MÃE PESSOA:
Cara Mariana, obrigada pela mensagem!
Seus comentários e dúvidas tocam em questões muito interessantes e importantes para as mulheres, mães, profissionais de hoje. Equilibrar todos esses papéis requer mesmo muito malabarismo. É fato que hoje as mulheres precisam trabalhar, enquanto também querem ser mães presentes sem deixar de cuidar do seu lado pessoa.
Nós, mulheres de hoje, somos criadas para ter uma vida além da maternidade, e por isso investimos em nossas profissões e temos ambições e aspirações que vão além do papel de mãe. A maternagem em tempo integral pode não dar conta de tudo isso.
Foi pensando em todas estas questões que criamos o INSTITUTO MÃE PESSOA, para auxiliar mulheres nessa jornada, principalmente porque acreditamos que é impossível fazer tudo sozinha.
Sobre o que você escreve, alguns comentários:

Antes de tudo, é importante você saber que os sentimentos de culpa e as saudades fazem parte desse processo de separação mãe-bebê, como você mesma já percebeu conversando com as suas amigas. Mais ainda, crianças são muito resilientes, e se adaptam à sua situação e realidade, sem grandes mágoas ou traumas – como em sua própria vida, quanto conta de sua mãe no trabalho, e do seu reconhecimento de que ela fez o melhor que podia para que você ficasse bem cuidada enquanto ela estava trabalhando.

Portanto, poder contar com a sua mãe pode ser um ponto muito positivo na sua vida, se souber aproveitá-lo bem. Isso pode te dar uma segurança a mais, sabendo que sua filha está com alguém que a ama muito e vai procurar cuidar muito bem. O importante será então se organizar para poder compartilhar com a mãe/avó os cuidados e os momentos especiais.

Para isso, uma dica importante: estabeleça uma rotina com a sua filha onde alguns dos cuidados diários possam ser sempre feitos por voce. Isso vai te possibilitar manter uma relação de qualidade com a tua filha. Por exemplo, eleja alguns momentos como o banho, o jantar, e/ou o ritual na hora de dormir, e guarde estes momentos para curtir com ela, se disponibilizando para que as duas saibam que este é o momento só de voces, que possam esperar por ele. Isto diminue a culpa da mãe assim como a ansiedade da criança, pois ela aprende a esperar, depositando suas expectativas naquele momento esperado.

Não se preocupe se no começo – e de vez em quando depois também – ela estiver mais irritadiça ou carente bem nestes momentos: isto vai significar que ela entendeu que estes são os momentos “especiais” de vocês, e ela está guardando o “pedido de colo” especialmente para você. É como se ela pudesse estar te dizendo: “consegui esperar até agora, eu sabia que estaria com você, por isso agora posso relaxar e chorar, ou pedir colo, pois sei que você vai segurar a minha onda!”. O teu papel então será acolhe-la, com muito abraço e muito carinho... Você pode (deve!) até verbalizar para ela, dizendo algo como: “eu sei que você me esperou até agora... Eu também estava esperando por esse momento. Agora a mamãe está aqui, está tudo bem, estamos bem!”. Com o tempo ela vai se sentir segura com este carinho e esta presença tua, e estes momentos especiais serão menos intensos e mais gostosos... Além disso, com o tempo vocês poderão criar outros rituais juntas, que possam ir se modificando e acompanhando seu crescimento.

Enquanto são pequenas, a relação com as crianças passa muito pelo cuidado básico – banho, troca, alimentação, etc. Mas a medida que vão crescendo, o relacionamento passa a incluir também outros momentos, e aí os rituais de banho ou jantar poderão ser substituídos por outros, como ler juntas, ter momentos de conversa, ou fazer um passeio que ambas curtam, como ir a uma praça ou a um shopping.

O importante é que vocês aprenderão juntas que não importa o que houver, não importa quantas horas vocês realmente passarem juntas, você estará emocionalmente e afetivamente disponível e atenta a ela e suas necessidades! Lembre-se: não se trata de quantidade de horas que passamos junto com nossos filhos, mas sim, da qualidade deste tempo. Ficar 24 horas por dia “perto” das crianças, mas constantemente ocupada com outras coisas, ou estressada com problemas, ou falando ao telefone, não se compara a ter algumas poucas horas por dia que sejam reservadas para uma relação gostosa, atenta, e verdadeiramente disponível: para brincar, para conversar, para cuidar...

Sobre a questão da alimentação, algumas observações: primeiro de tudo, como dissemos antes, é impossível fazer tudo sozinha. Você precisa sim de alguém que possa te orientar quanto à alimentação infantil. Livros trazem dicas, pessoas trocam ideias, mas em alguns aspectos, cada caso é um caso.
Se a criança não está aceitando mamadeira, é preciso que se pense o por quê: pode ser que ela não tenha gostado do gosto; pode ser que o tipo de bico não combine com a forma dela mamar; pode ser que o tipo de leite oferecido realmente não lhe caia bem... Tem crianças que vão do peito ao copo, sem passar pela mamadeira; tem crianças que não se adaptam a tomar leite depois que desmamam, e vão substituir o leite por outros laticínios, como queijos, danones, ou mesmo leite de soja.
Para saber se a alimentação da sua filha está balanceada, e o que incluir em seu cardápio, é realmente necessário um acompanhamento especializado, com um pediatra ou nutricionista. Talvez baste apenas uma consulta com tempo e disposição para conversar sobre esse assunto com seu pediatra, para você ter a tranquilidade de como fazer essa transição do peito para os alimentos.
O mais importante nesta fase de introdução à alimentação é que se respeite o tempo e estilo da criança, para que a criança tenha prazer em se alimentar, e fique aberta à experiência de experimentar novos gostos e sabores.
Esperamos assim ter contribuído com algumas das tuas questões.
Gostaríamos de lembrar ainda que uma das modalidades de atendimentos e treinamentos que realizamos é o “coaching”, ou seja, uma série de encontros que visam abordar de forma pontual e objetiva desde questões gerais sobre as dificuldades de ter filhos, até questões específicas trazidas por nossas clientes. Se você tiver interesse em conversar sobre essa possibilidade, estaremos à sua inteira disposição.
Por último, queremos agradecer a tua generosa oferta de compartilharmos tuas questões com outras mães e interessados.

Atenciosamente e com um grande abraço,
Sheila Skitnevsky Finger &
Tania Novinsky Haberkorn

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Mãe: Ser ou Não Ser

Boa tarde, gostaria de uma indicação de leitura. Tenho 35 anos ,10 de casada e me encontro em questionamento profundo sobre a escolha de ser ou não ser mãe. Já conversei com varias pessoas já pensei sozinha e não consigo saber se realmente quero ser mãe. Buscando alguns artigos sobre o tema encontrei o site de voces e gostaria de uma orientação sobre algum livro que aborde esse tema.
Atenciosamente,
Tessa

Querida Tessa, essa é realmente uma questão da pós-modernidade. Tudo é uma questão de escolha, inclusive ser ou não ser mãe. Existem muitos livros hoje que abordam esse tema. Podemos te indicar dois livros que fazem parte da nossa bibliografia e que recomendamos para as mães que fazem nossos cursos.

1)A Máscara da Maternidade

Criar filhos talvez seja a tarefa mais difícil que as mulheres realizam na vida. O papel de mãe é diferente, em grau e estilo, de qualquer outro papel desempenhado por uma mulher. Deixando de lado a questão do "instinto", a maternidade é algo em que as mulheres são impelidas a pôr todo o seu ser: corpo, alma, inteligência e espírito. Depois que a mulher se torna mãe, sua personalidade e suas relações afetivas nunca mais serão as mesmas - a presença da criança transforma completamente a visão que a mulher tem de si mesma, afeta o casamento e a vida do casal.
A autora, Susan Maushart, revela neste livro o quanto as mulheres estão despreparadas para a maternidade. Não só para a trabalheira insana, mas, sobretudo, para conflitos e transformações profundas que vêm junto com ela. Poucas mães mencionam a crise psíquica que envolve o nascimento do primeiro filho, o despertar de sentimentos enterrados há muito tempo sobre a própria mãe, a mistura de poder e impotência, a sensação de ser levada, por um lado, e de tocar novas potencialidades físicas e psíquicas, por outro.
A Máscara da Maternidade oferece uma visão realista dos bastidores do que é ser mãe hoje em dia - da gravidez e do parto ao malabarismo que é a vida das mães que trabalham fora.
Uma reflexão profunda que faz pensar que medos, frustrações e confusões dos primeiros tempos da maternidade não são prova de fracasso pessoal, mas do fracasso de expectativas extravagantes e de demandas conflitantes.
Autor(a): Susan Maushart
Páginas: 336
Editora: Melhoramentos

2) MAMÃE VAI TRABALHAR E VOLTA JÁ
Autora: Inês de Castro

Mamãe vai trabalhar e volta já - mostra que carreira e maternidade não precisam ser inimigas. Ao contrário - quando andam de mãos dadas fazem das mulheres vencedoras imbatíveis

Estes são livros que tentam mostrar os desafios que essa escolha acarreta na vida da mulher hoje em dia. Como todos os livros tem suas limitacões e generalizacões, voce vai ter que ler e usar seu filtro pessoal e usar o que serve para voce! Portanto são livros para começar a pensar nestas questões. Para indicar algo a mais, seria importante conhecer melhor quais as tuas questões específicas, que estão te causando dúvidas e conflitos. Conhecendo melhor, poderíamos te oferecer uma orientação mais direcionada. Neste sentido, estamos à sua disposição, caso queira marcar uma entrevista.
Para o teu conhecimento, abaixo descrevemos nossas formas de trabalho:

MODALIDADES

Psicoterapia: individual, de casal e de família, para quem precisa de um atendimento personalizado de ponta a ponta. Utilizamos um enfoque psicanalítico, e quando necessário, com módulos de psicoterapia breve e focal.
Orientação para pais – seja sobre questões referentes ao trato, cuidado, e educação dos filhos, seja sobre o desenvolvimento pessoal dos pais.
Coaching – temático, tal como estratégias para a vida profissional ou artística, educação, relacionamento pós-filhos, desafios da pós-modernidade, e outros; pontuais, que visam desenvolver questões específicas de cada um. O coaching temático é composto por 5 encontros, com valor pré-estabelecido; o coaching pontual depende do contrato estabelecido entre as partes.
• Grupos temáticos vivencias:
 In Company – em empresas
 In House – em clínicas, clubes, escolas e outros estabelecimentos particulares

Esperamos ter contribuído com as tuas questões, e ficaremos à tua disposição para mais informações, está bem?
Grande abraço,
Sheila & Tania

INSTITUTO MÃE PESSOA
Site: www.maepessoa.com.br
E-mail: contato@maepessoa.com.br
Blog: http://maepessoa.blogspot.com/
Telefone:(11) 3804-3167

sábado, 4 de julho de 2009

Desafios de Ter Filhos na Pós-Modernidade*

* artigo publicado na revista da Escola de Pais do Brasil, junho de 2009

Desafios da Pós-Modernidade

O ato de se tornar mãe revoluciona não apenas a vida da mulher que optou por dar à luz, mas todo o esquema familiar e profissional a que ela pertence. Principalmente neste momento histórico em que as mulheres se capacitam para ter um papel no mundo social, desenvolvem competências profissionais e adquirem independência econômica antes do casamento, a maternidade rompe com a construção da identidade profissional e social.

Nestes novos tempos é possível escolher quê estilo de vida queremos ter, os papéis que queremos exercer, e que atividades queremos desenvolver. Todavia, a possibilidade de tantas escolhas e opções não necessariamente torna a nossa vida mais fácil… Mulheres podem trabalhar fora, podem construir uma carreira, podem obter satisfação na vida profissional; mas como combinar casa e trabalho? Como combinar satisfação profissional com satisfação familiar e pessoal? Onde está o equilíbrio? Quais as novas possibilidades, e quais os limites para a mulher de hoje?

No desafio da vida moderna, esta mulher precisa conciliar as suas aspirações maternais a toda uma gama de obrigações pessoais e profissionais. Sem uma administração eficiente, esta situação múltipla acaba por gerar conflito, desgaste e estresse.

Em resumo, a era pós-moderna é uma época de liberdade e responsabilidade, de novas possibilidades e novos desafios. E para mães e pais, é tempo de se reinventar – pois somos nós, pais e mães de hoje, que estamos galgando os caminhos pelos quais passarão nossos filhos e netos; cabe a nós contribuir para um futuro de possibilidades mais amplas porém possíveis. Portanto, a pós-modernidade é marcada pela confluência entre tudo o que se tornou possível, e a falta de definições claras. Ou, dito de outra forma, tudo hoje é uma questão de escolhas; esse é o desafio, mas também a maravilha para os pais de hoje!

Família Pós-Moderna:

A familia pós-moderna não nasceu assim; há um contexto, uma história. É importante entender como chegamos até aqui, para visualizar para onde queremos e podemos ir.
Antigamente ser mãe era “natural”, ou seja, a maternidade era vista como a principal função e identidade a ser almejada pelas mulheres. Porém, em nossa era pós-feminista, ter uma carreira ou atividade passou a ser esperado das mulheres e pelas mulheres. Enquanto as expectativas da sociedade em relação às mulheres mudaram, o suporte que a mulher recebe – seja do marido ou da família, e de modo geral da sociedade – seguramente não acompanhou esta evolução das expectativas do papel da mulher.

A modernidade já se vai no tempo, época em que as mulheres descobriram a possibilidade de se igualar ao homem, de buscar realizações para além das atividades domésticas e familiares. O movimento feminista possibilitou muitas aberturas para as mulheres, e até hoje ainda estamos reinventado a educação dos filhos. Muitas são as equações que integram o cotidiano dos pais de hoje – múltiplas funções, imposição social quanto a carreira ou atividade profissional, conhecimento sobre teorias e técnicas de educação, e assim por diante.

Hoje espera-se da mulher que se realize dentro e fora de casa, que seja uma mãe presente, competente, educadora e eficaz, mas que também se preocupe com sua identidade pessoal, que se cuide, que esteja bem resolvida, que ganhe dinheiro e contribua com as finanças de casa, etc. Nossa geração foi educada para pensar e almejar uma carreira profissional ou uma atividade gratificante. E para a maior parte das mulheres, ser mãe e formar uma família segue sendo uma prioridade. Para o pai de hoje também houveram mudanças em relação à possibilidade de participar presente e ativamente na educação dos filhos e na vida familiar.

Concluimos portanto que a mulher saiu de casa e multiplicou seus papéis, enquanto o homem se interessou mais pela educação dos filhos; mais ainda, através da pediatria, psicologia, psicanálise e teorias do desenvolvimento, as crianças também passaram a ter uma nova importância familiar e social, e passaram a receber um olhar mais cuidadoso. Portanto enquanto os papéis dos pais se multiplicaram dentro e fora de casa, criou-se uma nova e maior demanda para se olhar, entender, educar e se relacionar com os filhos. A questão é que enquanto existem agora mais opções e mais informações em como se educar e criar os filhos, dadas as demandas mais exigentes, existem poucos modelos prontos. Hoje, os filhos vem se transformando no maior projeto de vida dos pais e de quem os rodeia, e aí mora o perigo do “filhocentrismo”.

Por outro lado, com a diminuição da influência da comunidade para com cada família, aumentou a importância dos pais e educadores diretos enquanto modelos – de estar no mundo, de se relacionar com outras pessoas e com o ambiente, de se relacionar com a busca de conhecimento e de informações, com a aprendizagem e o processo civilizatório. São os pais de hoje (e/ou aqueles que exercem as funções maternas e paternas para as crianças) os principais modelos de pessoa para os filhos; é quem os ensina como ser e buscar o que almejam, a desenvolver os próprios talentos e aspirações, e a encarar seus desafios e obstáculos.

O desenvolvimento e a manutenção da dimensão pessoal de cada mãe e pai é fundamental tanto para a própria saúde mental e integridade emocional, quanto enquanto modelo de pessoa para os próprios filhos. Ensiná-los por modelo como ser e buscar o que almejarem, desenvolvendo seus próprios talentos e aspirações, encarando seus desafios sem se deixar abater, todos esses são ensinamentos que influenciam na formação dos filhos. Estar presente e disponível é fundamental. Mas ter momentos de ausências para se buscar realizar os próprios projetos pessoais e/ou profissionais – dadas as condições apropriadas para que as crianças estejam sendo bem cuidadas e assessoradas – é também fundamental.

Como Lidar com essa nova realidade

Propomos a seguir algumas estratégias possíveis para auxiliar os pais neste processo de educar, que requer estar ativamente envolvido, sem perder de vista a preocupação consigo próprio, enquanto pessoa, e enquanto MODELO de pessoa para os filhos:

1) Olhar Bi-Focal - presente versus futuro: manter um olhar, uma perspectiva bi-focal, onde ora privilegia-se o presente, o aqui-e-agora, ora privilegia-se o futuro, o que virá, o que será.

2) Combinação de recursos: é preciso compreender e aceitar que para cada família haverá uma combinação possível e específica. O que é possível e desejável para alguns não o é para outros. Não existem fórmulas mágicas: para se alcançar uma combinação eficaz há que se levar em conta o contexto e os recursos de cada mãe, pai, da família, de cada sistema.

3) “Vida-bilidade”: criamos o conceito de “vida-bilidade”, ou seja, de pensar a viabilidade da vida de cada um ou grupo. Trata-se portanto de buscar maneiras de tornar a vida mais viável para si e para a família, incorporando os valores, os projetos, as aspirações, assim como a realidade e as limitações pessoais e familiares; enfim, maneiras de tornar sua vida mais viável, dentro da realidade de sua realidade. Para se criar vida-bilidade, algumas premissas se fazem necessárias, como: manter expectativas realistas; ser flexível e criativo; saber priorizar tarefas, interesses e objetivos; utilizar ajuda (delegar, sabendo identificar o quê e a quem); aprender a organizar e administrar as várias funções e os vários papéis; manter constante reavaliação do processo sobre o que está e o que não está funcionando; se divertir. Em suma, lembrar que sempre existe um leque de opções; portanto dentre este leque, tentar eleger o que poderá promover maior vida-bilidade.

Reflexões finais

Na experiência pós-maternidade, passa a ser imprescindível reorganizar o novo cotidiano, pois assim como outras experiências, a maternidade nos desorganiza e nos pressiona a rever nossos valores, princípios, e até mesmo aspectos que pensávamos “resolvidos” de nossa identidade. Todavia, faz-se importante lembrar que crise também oferece oportunidade, portanto, pode-se, deve-se tomar essa desorganização como uma grande oportunidade de melhorar. Ou seja, se é verdade que mudanças causam angústia, também trazem liberdade, e são portanto ótimas oportunidades de crescer, de se re-inventar, e de se superar!

[1] Sheila Skitnevsky-Finger, psicóloga, psicanalista, com doutorado em Psicologia pela Massachusetts School of Professional Psychology, em Boston, USA (2004). Atende em consultório particular na Vila Madalena, em São Paulo; é sócia fundadora do Instituto Mãe Pessoa; e é pesquisadora pelo Centro de Estudos em Psicanálise e Intolerância – Cepi/LEI da USP. Tania Novinsky Haberkorn, psicóloga, psicoterapeuta, com mestrado em Psicologia Clínica pela Universidade Antioch de Los Angeles, CA, em 1996. Atende em consultório particular no Brooklin, em São Paulo; é sócia fundadora do Instituto Mãe Pessoa.
[2] O Instituto Mãe Pessoa oferece cursos e treinamentos cujo objetivo é possibilitar um espaço para reflexão e conhecimento em busca de novas maneiras de abordar, reinventar, e administrar criativamente, a questão da educação e da maternidade nos dias de hoje. Visando atender os vários locais onde se encontram as mães de hoje, o Instituto Mãe Pessoa oferece versões In Company, nas empresas; In House, em clínicas, clubes, condomínios, escolas e afins; e In Clinic, no consultório. Mais informações pelo site: http://www.maepessoa.com.br/ ; blog: http://maepessoa.blogspot.com/ por e-mail: contato@maepessoa.com.br ou telefone 11 – 3804 3167.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Workshop na Maria Barriga em Junho!

Workshop maria Barriga/Vila Olimpia

27 de junho de 2009 – sábado das 10 as 12hr

Psicólogas Sheila Skitnevsky Finger

& Tania Novinsky Haberkorn

“Desafios de criar Filhos na Pós-Modernidade”

I.                Quais são os novos desafios da pós-modernidade?

II.             Pais pós- modernos, filhos pós-modernos

III.           Os pais enquanto educadores e modelos de pessoas

IV.           Como lidar com  essa nova realidade

O Instituto Mãe Pessoa: oferece cursos e atendimentos cujo objetivo é possibilitar um espaço para reflexão e conhecimento em busca de novas maneiras de abordar, reinventar e administrar criativamente a questão da mulher atual e da maternidade nos dias de hoje.

Onde: Maria Barriga – Vila Olímpia – Rua Santa Justina, 449 - São Paulo

Investimento: 70,00 – Vagas limitadas, inscrições antecipadas pelo tel. 11-2667 5297 ou email: vilaolimpia@mariabarriga.com.br.

 

 

Para saber mais sobre o projeto, visite nosso site: www.maepessoa.com.br

Ou entre em contato por e-mail: contato@maepessoa.com.br

Ou telefone: (11) 3804 3167

sexta-feira, 22 de maio de 2009

A Solidão da Super Mammy

Ontem assistindo a mais um episódio da Super Nanny no GNT, me chamou a atenção a solidão da mãe dos dias de hoje. É certo que o seriado tem seu contexto cultural, mas depois de ver por quase uma hora essa mãe solteira com três filhos aplicar todos os métodos da Super Nanny nessas crianças, ficou claro como o problema vai muito além do que simplesmente reforçar as regras e colocar de castigo no cantinho.

Em uma situação o menino de uns 4 anos é colocado repetidamente na cama 98 vezes! Haja costas... e paciência. Mas a mãe reinforçada pela Nanny , certa de que essa é a melhor maneira de resolver essa situação, não desiste. A interação dela com as crianças é quase abusiva, quando ela perde a calma, ela grita e segura as crianças de maneira bem agressiva.  Mas tudo dentro de um contexto em que as crianças estão sendo treinadas e educadas para que a vida em família prossiga normalmente.

As duas meninas um pouco mais velhas também têm seus ataques e desafiam a mãe com suas desobediências e caprichos. Mas a Super Nanny esta lá e da o suporte para a mãe ser firme e persistente e colocar uma delas no canto várias vezes até que ela se rende pelo cansaço e obedece. Missão comprida. As crianças estão bem comportadas e a mãe sentindo que fez um bom trabalho.

Detalhe a Super Nanny também acha que a mãe, exausta e sem muita noção de como lidar com toda essa situação sozinha, não esta demonstrando afeto e empatia nas suas falas. Então temos uma boa demonstração de como a mãe deve elogiar os filhos e fazer cara de contente.

Em nenhum momento essa mãe tem ajuda de ninguém, faz tudo sozinha, cria, educa, da afeto, limpa, cozinha, leva na escola, leva para passear, enfim esta só no mundo com essas crianças. A única ajuda mesmo vem da Super Nanny que ensina ela truques para dar conta de tudo de uma forma mais harmoniosa e fazer cara de contente. 

Tania Novinsky 

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Eu quero a minha mãe!

Por Tania Novinsky Haberkorn
O dia das mães esta chegando e os jornais e TVs fazem a gente lembrar o tempo todo que somos filhas e mães. Para algumas esse dia vai ser muito especial e vai juntar gerações de avós, filhos e netos. Para outros vai ser um dia de lembranças saudosas de uma mãe que partiu. Hope Edelman, no seu livro ainda sem tradução para o português, Motherless Mother: How Mother Loss Shapes the Parents We Become, 2006, retrata bem a realidade da mãe que perdeu a mãe e como isso influencia na sua maneira de ser mãe. Ela própria perdeu sua mãe quando tinha 12 anos e ela conta como se tornar mãe trás muitas questões da perda da própria mãe.
Hope conta que foi na segunda gravidez, quando ela ficou de repouso, que ela sentiu mesmo a falta da sua mãe. Desde que perdeu sua mãe ela aprendeu a se virar sozinha, mas pela primeira vez não podia. Não conseguia cuidar da casa, da filha de 4 anos, da gravidez e dela mesmo sozinha. Ela começou a pensar nesse tema e como as outras amigas que também tinham perdido as mães estavam fazendo e descobriu que elas também estavam tendo pensamentos e sentimentos parecidos.
Ela tinha essa fantasia de que se a mãe dela estivesse viva ela estaria lá ajudando como pudesse e como seria bom se a filha dela tivesse uma avó, porque não foi até ela ser mãe que ela também sentiu falta da avó para sua filha.
Hoje com o isolamento das famílias, as mães têm mesmo menos suporte da comunidade e a primeira pessoa que as mães pensam em chamar na hora do aperto é a própria mãe. Uma estatística que chamou muito a sua atenção é como as mães sem mães aprenderam a contar com elas mesmas. As mães que tem mães para chamar, nem sempre chamam a mães, elas chamam a irmã, a tia, a amiga, mas elas tem esse repertório de contar com alguém, enquanto a mãe que perdeu a mãe antes de ser mãe esta acostumada a dar conta de tudo sozinha.
As estatísticas também mostraram que as mães sem mães têm muito dos mesmos medos e preocupações das outras mães. Mas alguns pontos são mais intensificados: elas são mais sensíveis a separações e perdas. Querem muito ser boas mães, mas tem medo de não saber como. Elas contam também como não tem acesso as informações sobre a própria mãe, sobre o suporte emocional da mãe e informações sobre a sua própria infância.
Ela também salienta como a transição para a maternidade, o nascimento do primeiro filho, foi a experiência mais marcante para elas. Foi uma emoção duplamente profunda porque elas estavam se tornando a pessoa que elas perderam. Pela primeira vez na vida elas podiam ver o mundo através dos olhos da própria mãe. Mesmo no hospital, elas olhavam para o bebe e sentiam esse amor e pensaram: minha mãe sentiu isso por mim uma vez. Elas se identificaram com a própria mãe de uma maneira que nunca se identificaram antes. E uma vez que elas se colocaram no lugar da mãe delas, elas puderem entender o quanto elas (avós) perderam morrendo tão cedo.
Edelman aconselha as mães que perderam as próprias mães ou que não podem contar com essa relação no dia a dia da maternidade que procurem ajuda; como grupos de mães e suporte de outras mães. Mães sem mães estão predispostas a se sentirem sozinhas no mundo, e acabam se sentindo sozinhas na maternidade também.Para ler a entrevista na integra em inglês: http://www.literarymama.com/profiles/archives/001288.html